História

Por Mirian Bondim

 Lutas e Colonização Café, desenvolvimento e escravos Ascensão e declí­nio Século XX

 

LUTAS E COLONIZAÇÃO

A ocupação humana nas terras do território que hoje se denominam como Mangaratiba deu-se em época anterior à Era Cristã. Essa ocupação ficou marcada pela presença de diversos sítios de sambaqui presentes em vários pontos do litoral mangaratibense.

 

Aldeia de Mangaratiba meado do século XVIII

Quadro de Luciano Heffner que retrata arraial indí­gena em Mangaratiba no século XVII (acervo do Museu Municipal)

Outra ocupa√ß√£o registrada nesse litoral, antes da chegada dos portugueses, foi do povo tupinamb√° que vivia na regi√£o litor√Ęnea de Ubatuba √† Cabo Frio, dividido em v√°rias aldeias. Esse povo, primeiramente, sob o comando do cacique Cunhambebe e, ap√≥s sua morte, sob o comando de Aimbir√£, conseguiram formar uma grande alian√ßa com as tribos inimigas dos portugueses, contando com o apoio dos franceses, a partir de 1555, contra a invas√£o de suas terras e a escravid√£o de seu povo. Essa alian√ßa ficou denominada como Confedera√ß√£o dos Tamoios. Ap√≥s muitas lutas por terra e por mar, sem dar tr√©guas aos colonizadores, a confedera√ß√£o foi derrotada e os tupinamb√°s exterminados.

 

  • Cunhambebe

    Cacique Cunhambebe, chefe dos tupinamb√°s

  • Fam√ɬ≠lia tupinamb√ɬ°

    Representação artí­stica do povo tupinambá, que formaram com os tamoios a Confederação dos Tamoios que lutaram contra os portugueses

Logo ap√≥s a derrota da Confedera√ß√£o dos Tamoios em 1567, teve in√≠cio o processo de coloniza√ß√£o em Mangaratiba com doa√ß√Ķes de terras √† poderosa fam√≠lia S√°. Sendo a primeira sesmaria doada em 1568, (um ano ap√≥s a derrota dos tamoios) √† Vit√≥ria de S√° e Bartolomeu Antunes Lobo. Ainda no final do s√©culo XVI, Salvador Correia de S√° (o velho) construiu um grande engenho nas terras denominadas como Itacuru√ß√°. Segundo o historiador Vieira de Mello, esse estabelecimento pode ser considerado como o quinto engenho da capitania do Rio de Janeiro.

Por√©m, o processo de coloniza√ß√£o nessa regi√£o (banhada pelas ba√≠as de Ilha Grande e de Sepetiba) n√£o foi f√°cil, pois a localiza√ß√£o geogr√°fica facilitava os ataques piratas √†s embarca√ß√Ķes que vinham das minas de prata e ouro de Potosi, durante os s√©culos XVI e XVII, como tamb√©m, √†s embarca√ß√Ķes vindas de Paraty com carregamentos de ouro mineiro, no s√©culo XVIII. Isso tudo, sem contar com ataques dos remanescentes tamoios que sobreviveram √† derrota da confedera√ß√£o e viviam incendiando planta√ß√Ķes e apavorando os colonos.

 

Salvador Correia de Sá

Salvador Correia de Sá e Benevides foi um dos administradores do Engenho de Itacuruçá (autor desconhecido) 

 

Sendo assim, a efetiva colonização de Mangaratiba começou quando Martim de Sá (administrador do Engenho de Itacuruçá e governador da Capitania Real do Rio de Janeiro) estabeleceu, no início do século XVII, dois aldeamentos na região para garantir a posse da terra contra a pirataria e os possíveis ataques dos remanescentes tamoios:

  • Um aldeamento carij√≥ denominado como Aldeia de S√£o Francisco Xavier e/ou Aldeia de Itinga que ficou sob a tutela dos padres jesu√≠tas de Santa Cruz. Essa aldeia foi primeiramente estabelecida na Ilha de Itacuru√ß√°, e transferida para Itagua√≠ em 1729.
  • Um aldeamento tupiniquim, sob a administra√ß√£o do pr√≥prio Martim de S√°, que foi primeiramente estabelecido na Marambaia. Logo depois, removido para a Inga√≠ba, formando naquela praia, um arraial sob a tutela de S√£o Br√°s. Ainda no primeiro meado do s√©culo XVII, essa aldeia foi definitivamente transferida para o centro de Mangaratiba. Na nova localidade, foi erguida uma capela sob a tutela de Nossa Senhora da Guia. Como essa aldeia n√£o tinha assist√™ncia religiosa, entre os anos de 1688 e 1729, sua capela ficou agregada √† capela da Aldeia de Itinga.

 

Igreja Nossa Senhora da Guia

Fotografia sem data da Matriz de Nossa Senhora da Guia, ainda sem a Pra√ßa Robert Sim√Ķes, no centro de Mangaratiba (autor desconhecido)

 

Nesse per√≠odo, Mangaratiba assim como de toda a √°rea que atualmente se denomina como Costa Verde, tinha como principal fun√ß√£o produzir a√ß√ļcar e alimentos destinados ao abastecimento da capitania de S√£o Vicente, capitania da qual era pertencente. Mesmo fazendo parte da rec√©m-criada Capitania Real do Rio de Janeiro, essa regi√£o continuou pagando d√≠zimos de sua produ√ß√£o para sua capitania primordial, at√© o final do s√©culo XVIII.√ā¬†

 

CAF√Č, DESENVOLVIMENTO e ESCRAVOS

Em 1764, a capela de Nossa Senhora da Guia de Mangaratiba se transformava em uma freguesia (par√≥quia), com aldeia recebendo o 1¬ļ vig√°rio dos √≠ndios: Francisco das Chagas Susano. Esse p√°roco era um dos donos da grande Fazenda do Sahy, fazenda essa onde, segundo a hist√≥ria oral, funcionava um sistema de desembarque e de venda de escravos.

A freguesia criada em 1764 possuía atuação apenas dentro da área de limite do aldeamento. Entre os anos 1785 e de 1795, contando com a força da mão de obra dos aldeados, a igreja foi ampliada. Na data da inauguração da grande obra, em 1802, a freguesia de Nossa Senhora da Guia foi ampliada compreendendo o território de Itacurubitiba até o Itinguçu, incluindo as ilhas adjacentes.

 

Trabalho escravo do século XIX

Representação do Teatro do Breves no antigo vilarejo do Saco de Mangaratiba, hoje em ruí­nas (ilustração de Miguel Arthuro que faz parte do acervo da Fundação Mário Peixoto)

 

Com essa amplia√ß√£o, a Freguesia de Mangaratiba come√ßou a passar por um processo r√°pido de desenvolvimento j√° que o aldeamento tupiniquim, at√© as tr√™s primeiras d√©cadas do s√©culo XIX, sobreviveu com casinhas constru√≠das por pau a pique e sap√© no entorno da bel√≠ssima igreja, rodeada com pequenos ro√ßados de mandioca, milho, feij√£o, arroz e demais verduras e leguminosas para consumo da pr√≥pria aldeia. Enquanto o maior desenvolvimento do territ√≥rio que compreendiam a antiga freguesia estava localizado nas terras de Itacuru√ß√°, do Sahy, da Inga√≠ba, de Itacurubitiba etc. Nessas localidades, al√©m das planta√ß√Ķes de feij√£o, de arroz, de anil, de milho, de mandioca, tamb√©m produziam caf√© (em pequenas quantidades), a√ß√ļcar e aguardente. Esta √ļltima, para atender ao com√©rcio de escravos no atl√Ęntico.

Nesse per√≠odo, um dos principais rendimentos dos aldeados era o aforamento (arrendamento) de suas terras. V√°rios conflitos foram registrados na aldeia, gerados pela tend√™ncia dos foreiros em aumentar a √°rea que lhes cabia. Os √≠ndios tamb√©m lutavam contra as constru√ß√Ķes de casas com pedra e cal por medo de perderem suas terras.¬†

No final do século XVIII e início do século XIX, a lavoura de café começava a se expandir por toda região de serra acima com destaque para produção de São João Marcos e de Resende. Com desenvolvimento da economia cafeeira em São João Marcos, Piraí, Barra Mansa e demais localidades da região do Médio-Paraíba, Mangaratiba, assim como outros portos angrenses, ganhou um crescente movimento portuário, disputando com os portos de Itaguaí.

 

Vale do Saco (2)

Descida da Estrada do Atalho com vista para a Praia do Saco e vila (ilustração de Miguel Arthuro que faz parte do acervo da Fundação Mário Peixoto)

 

Em 5 de julho de 1818, Itaguaí conquistou sua emancipação política, anexando ao seu território a freguesia de Mangaratiba, com exceção das terras que hoje compreendem Conceição de Jacareí (que continuou pertencente a Angra dos Reis) e Serra do Piloto (que continuou pertencente a São João Marcos).

 

Vila N. S. Da Guia

Visão artí­stica de Miguel Arthuro sobre a Vila de Nossa Senhora da Guia. Mangaratiba conquistou a categoria de Vila em 1831.

 

Durante esse período, Joaquim José de Souza Breves (o comendador Breves) que se destacou como o Rei do Café e como o maior escravocrata do país, construiu um trapiche (armazém de estocagem dentro do porto de escoamento) no centro de Mangaratiba para escoar sua produção cafeicultora.

Por volta de 1830, Breves estabeleceu outros armaz√©ns no Saco de Mangaratiba, e juntamente com amigos cafeicultores da regi√£o de serra acima, transferiu para essa √°rea a grande movimenta√ß√£o portu√°ria do munic√≠pio. Esse porto, em meados do s√©culo XIX, chegou a se destacar como um dos maiores portos do Brasil. Al√©m dos armaz√©ns de caf√©, de diversas lojas comerciais, casa de bilhar, tanoaria, pens√Ķes, cocheiras, havia um teatro, onde se apresentou o grande artista da √©poca: Jo√£o Caetano. Nesse local, tamb√©m aconteciam os abomin√°veis leil√Ķes de escravos.

 

Vale do Saco (1)

Em foto sem data, Mangaratiba vista do que hoje é o distrito de Serra do Piloto. Ao fundo, a Praia do Saco (autor desconhecido)

 

ASCENS√ÉO E DECL√ćNIO

Al√©m da atividade portu√°ria de escoamento de caf√©, o tr√°fico de escravos foi outra atividade econ√īmica que proporcionou o enriquecimento da regi√£o. Movida pela riqueza dessas atividades, Mangaratiba conquistou sua independ√™ncia administrativa em 11 de novembro de 1831, sendo elevada √† categoria de vila com a denomina√ß√£o de Vila de Nossa Senhora da Guia de Mangaratiba. Ao emancipar-se anexou ao seu territ√≥rio as terras de Concei√ß√£o de Jacare√≠ e da Serra do Piloto.

 

Mangaratiba

Também de Miguel Arthuro, representação da emancipação de Mangaratiba em 1831

 

O primeiro projeto discutido na C√Ęmara de vereadores da nova vila foi a constru√ß√£o de uma estrada ligando Mangaratiba √† S√£o Jo√£o do Pr√≠ncipe (S√£o Jo√£o Marcos). Joaquim Jos√© de Sousa Breves assumiu a administra√ß√£o da constru√ß√£o dessa estrada hoje denominada como Estrada do Atalho. A produ√ß√£o de caf√© se intensificou tanto que a estrada constru√≠da por Breves, por ser estreita e apenas areada, passou a ser considerada insuficiente para escoar toda a produ√ß√£o cafeicultora da regi√£o. Entre os anos de 1850 a 1856, essa estrada entrou em obra de cal√ßamento e de amplia√ß√£o.

 

  • Primeira C√ɬĘmara de Mangaratiba

    Palacete do Bar√£o de Sahy, que foi a sede da primeira C√Ęmara Municipal de Mangaratiba, ao lado do atual pr√©dio da Prefeitura (autor desconhecido)

  • Estrada do Atalho

    Trecho preservado da Estrada do Atalho: esta foi a primeira ligação entre a Vila do Saco e a cidade de São João Marcos (autor desconhecido)

Ao mesmo tempo teve início, no ano 1855 a abertura de uma nova estrada ligando Mangaratiba-São João Marcos, ficando assim sendo construídas duas estradas para mesma direção. A nova estrada foi inaugurada em 1857 e que ficou conhecida, posteriormente, como Estrada Imperial. No dizer de Afonso Taunay, foi a primeira verdadeira estrada de rodagem do Brasil. Podemos considerar esse evento como um marco do desenvolvimento de Mangaratiba no período imperial.

Porém, o período áureo da economia mangaratibense durou pouco. Sua decadência aconteceu pela conjugação de três fatores: o aumento da taxa cobrada na barreira (pedágio), a partir de 1857, no mesmo ano da inauguração da estrada, para cobrir o alto custo de sua construção; a chegada do trem à Barra do Piraí, em 1864, desviando a rota de escoamento do café e o evento da Abolição da Escravidão, em 1888, que desestruturou todo sistema produtivo da região.

Em 1873, em plena fal√™ncia de Mangaratiba, a epidemia de var√≠ola chegou √† vila, provocando o esvaziamento populacional da mesma. Grande parte da popula√ß√£o mangaratibense foi morar nas zonas rurais, principalmente na Inga√≠ba. Essa regi√£o passou a ser a √°rea de maior produ√ß√£o do munic√≠pio. Nesse per√≠odo de crise, a produ√ß√£o de cacha√ßa ainda contribu√≠ fortemente com o cofre p√ļblico. Com destaque para os engenhos da Fazenda Cachoeirinha (no vale do Saco) e Engenho do Gago (no Sahy).

A decad√™ncia na regi√£o foi t√£o grande que o munic√≠pio de Mangaratiba foi extinto em 08 de maio de 1892. Apesar de ter sido restabelecido alguns meses mais tarde, em 17 de dezembro do mesmo ano, os portos mangaratibenses ficaram desertos e in√ļmeras edifica√ß√Ķes foram abandonadas, tais como casar√Ķes, armaz√©ns, lojas e trapiches dentro da vila, no Saco e na Praia do Sahy.

 

S√ČCULO XX

Em 1894, o vereador José Caetano de Oliveira (grande fazendeiro e empreendedor de Itacuruçá) começava sua luta para trazer o trem para a região. Finalmente o trem chegou, em 1911, à Itacuruçá e, em 1914, ao centro de Mangaratiba. Nesse período, o mundo começava a viver o conflito da Primeira Guerra Mundial, e o consumo de lenha aumentou consideravelmente, já que a maior parte do carvão mineral consumido no Brasil vinha da Europa e, durante a guerra, foi totalmente cortada sua exportação. 

Os lavradores aproveitavam os espa√ßos abertos com o corte de lenha e de madeira para fazer carv√£o e faziam o plantio da banana. Aos poucos, os bananais foram se espalhando pelas serras da regi√£o e ganhando destaque na economia mangaratibense. Os Grandes carregamentos desse produto chegavam √†s esta√ß√Ķes e paradas de trem, levados por tropas de burros, carro√ßas e barcas. Os trens que circulavam por essa regi√£o, apelidados por Macaquinhos, por andarem abarrotados de bananas. Mangaratiba chegou a ser o maior produtor de banana do pa√≠s.

 

  • Ibicu√ɬ≠√ā¬† Trem (1)


    Trecho da Estrada de Ferro em Ibicuí­, foto de 1947 de Luiz Napoleão de Jesus. Acervo: ibicuifotos.blogspot.com.br

  • Ibicu√ɬ≠√ā¬† Trem

    O famoso trem apelidade de "Macaquinho" por carregar muitas bananas. Mangaratiba já foi a maior produtora da fruta no país. Registro de 1947. Acervo: ibicuifotos.blogspot.com.br

 

Al√©m da lenha, do carv√£o e da banana, esses trens possu√≠am tamb√©m vag√Ķes especiais destinados para o transporte de peixes. A pesca foi uma atividade presente em todos os per√≠odos hist√≥ricos de Mangaratiba e, tamb√©m ficou mais incrementada com a chegada do trem. O √ļltimo vag√£o ficou destinado somente ao transporte de peixes, devido ao mau cheiro que exalava. Caixas de pescado de qualidade sa√≠am da Ba√≠a de Sepetiba, via Itacuru√ß√°, repletas de ca√ß√Ķes, linguados, namorados, corvinas etc. Uma grande estrutura voltada √† navega√ß√£o, √† pesca e ao beneficiamento de peixes foi sendo criada nessa localidade com o estabelecimento da Capitania dos Portos do Rio de Janeiro, da Col√īnia de Pesca, da antiga Escola de Pesca Darcy Vargas, das f√°bricas de sardinhas, do Iate Clube de Itacuru√ß√° etc.

Sobre os trilhos do trem, tamb√©m chegava √† regi√£o o que seria hoje a principal base econ√īmica deste munic√≠pio: o turismo. Todo o litoral passou a viver a efervesc√™ncia do turismo praiano. Nos finais de semana e em per√≠odos de f√©rias e feriados, os trens chegavam do Rio de Janeiro lotados de turistas que desembarcavam nas esta√ß√Ķes √† procura das bel√≠ssimas praias e ilhas da regi√£o. Por todo o progresso e benef√≠cio que o trem trouxe a Mangaratiba, podemos considerar o ano de 1911 como um marco hist√≥rico do desenvolvimento deste munic√≠pio no per√≠odo republicano.

 

Centro Ferroviário Itacuruçá

Pose de menino em registro sem data, mas obviamente bastante antigo, da estação de trem de Itacuruçá.

 

De 1920 em diante, o município apresentou um grande crescimento urbano. Muitas casas foram construídas e o fluxo de veranistas aumentou. Pequenos lugarejos foram se transformando em vilas balneárias de veraneio zona sul. Na década de quarenta, ocorreram os grandes loteamentos na orla marítima como Muriqui, em Ibicuí, Praia Grande, Praia do Saco e Itacuruçá. Tal fato levou a ser produzido em 1942, o primeiro código de obras municipal.

 

  • Itacuru√ɬß√ɬ° foto antiga

    Igreja de Sant'Anna em Itacuruçá: visão lateral em fotografia sem data e de autor desconhecido. Acervo da Fundação Mário Peixoto

  • Mangaratiba antigo

    Foto do centro de Mangaratiba, visto da Toca da Velha. Sem data e sem indicação do autor. Acervo da Fundação Mário Peixoto

  • Vis√ɬ£o panor√ɬĘmica Muriqui antigo

    Muriqui vista do alto, em foto sem data ou autor conhecido. Acervo da Fundação Mário Peixoto

 

Em meados do século XX, foi inaugurada a primeira a Estrada de Rodagem ligando o Rio de Janeiro à Mangaratiba, a RJ-14. Essa estrada ampliou ainda mais o desenvolvimento turístico da região, como também facilitou o escoamento do pescado, da produção de bananas e de outros produtos agrícolas, valorizando ainda mais as terras dos pequenos balneários e sítios da zona rural. A partir desse evento, o turismo passou a contribuir fortemente para a receita municipal, juntamente com a produção de bananas e com o pescado, com destaque, nesse período, para Itacuruçá por ser a principal área produtora de peixe e turística de Mangaratiba.

 

Construção RJ-14

Construção da via que hoje é conhecida como "RJ-14". Foto de 1948, de Luiz Napoleão de Jesus. Acervo ibicuifotos.blogspot.com.br

 

Em 1973, foi inaugurado o terminal portuário de escoamento de minério de ferro da Ilha Guaíba, com Mangaratiba retornando à condição de município portuário. Um ano depois, em 1974, foi inaugurada a rodovia Rio-Santos (BR-101) e, todo o município passou a sentir o boom da explosão demográfica que vem provocando a descaracterização de vilas balneárias e mudando para sempre o cenário bucólico da região.

 

  • Constru√ɬß√ɬ£o Rio Santos 1975(Portal Ig)

    Foto da década de 1970 (autor desconhecido), primórdios da rodovia Rio-Santos (BR-101): a rodovia trouxe consigo uma nova realidade para vários municípios fluminenses

  • Terminal Portu√ɬ°rio Gua√ɬ≠ba

    Terminal da Ilha Gua√≠¬≠ba: movimenta√ß√£o portu√°ria √© uma das for√ßas econ√īmicas da regi√£o (reprodu√ß√£o internet)

 

A partir desse evento, setores de grandes empreendimentos imobili√°rios ligados aos condom√≠nios, resort e hot√©is de luxo passaram a movimentar a economia local, principalmente nas √°reas que se mantiveram preservadas a bel√≠ssima paisagem de Mata Atl√Ęntica e de praias e costeiras desertas (da Inga√≠ba √† Concei√ß√£o de Jacare√≠) devido ao isolamento vivido por muitos anos, pela falta de ferrovias e rodovias.

O Porto de Sepetiba (atual Porto de Itagua√≠), inaugurado em sete de maio de 1982, e o evento do Arco Metropolitano, constru√≠do para dar melhor acesso ao porto, transformou ainda mais a vida do munic√≠pio de Mangaratiba, aumentando a popula√ß√£o flutuante de finais de semanas, de f√©rias e de feriados prolongados, criando grandes engarrafamentos nas estradas e localidades litor√Ęneas na busca por um turismo praiano.


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